7 – Dispositivos e técnicas de segurança para o Circuito de Segurança e Atuação do VLS-1.

INTRODUÇÃO

O Circuito de Segurança e Atuação (CSA) é também denominado linha de fogo”.

Os circuitos simplificados aqui apresentados destinam-se apenas ao entendimento dos conceitos teóricos e das técnicas empregadas na proteção da linha de fogo”, não podendo, portanto, serem utilizados sem o projeto de um profissional habilitado em engenharia elétrica ou eletrônica com formação complementar em armamento aéreo.

RECOMENDAÇÕES PARA O SUCESSO DO FUNCIONAMENTO DO “SAFE AND ARM DEVICE (S&A)”

1 – O Dispositivo Mecânico de Segurança (DMS) deverá possuir comando remoto para armar e desarmar o S&A;

2 – O detonador deverá ser projetado e ensaiado conforme os padrões de segurança e qualidade mais modernos existentes na atualidade;

4 – É obrigatório que seja elaborado um projeto elétrico do Circuito de Segurança e Atuação (CSA) por um engenheiro elétrico que acompanhará a sua implantação no Centro de Lançamento;

5 – A implantação deverá seguir rigorosamente as especificações técnicas das(os):

5.1 – suas ligações ao aterramento do Veículo;

5.2 – caixas metálicas;

5.3 – cabos e fios;

5.4 – conectores e

5.5 – componentes elétricos existentes no projeto.

6 – Após a sua implantação, o  CSA deverá ser vistoriado pelo engenheiro que o projetou e por uma equipe independente de engenheiros especializados neste assunto;

7 – Após ser vistoriado, o mesmo deverá ser testado e avaliado por uma equipe de instrumentação que terá como responsabilidade qualificar o circuito por meio de ensaios que representem as situações de risco às quais o circuito será submetido durante a preparação e a montagem do Veículo Lançador de Satélites ou dos foguetes de sondagem, com a utilização de detonadores sem explosivos, com o objetivo de verificar se os circuitos e as antenas em loop formadas pelos fios resistivos de 1 Ω estão adequadamente protegidas contra:

7.1 – O acúmulo de eletricidade estática em seus fios;

7.2 – As correntes geradas por descargas eletrostáticas incidentes ou induzidas em seus fios torcidos e blindados;

7.3 – A corrente induzida nas antenas em loop por descargas atmosféricas;

7.4 – A corrente induzida nas antenas em loop” por ondas eletromagnéticas e

7.5 – A corrente induzida nas antenas em loop” por transientes elétricos.

DESCRIÇÃO DAS TÉCNICAS E DISPOSITIVOS UTILIZADOS NA PROTEÇÃO DO S&A device

De acordo com:

1 – O “Safe and arm device” apresentado na figura 20.2 em (MANHA, 2009) p. 672;

2 – Os princípios básicos sobre os métodos de defesa contra pulsos eletromagnéticos, apresentados em (VASS, 2004);

3 – O capítulo 6 intitulado “SUPPRESSION DEVICES” do “EMP ELECTRONIC DESIGN HANDBOOK” publicado pelo (USAF WEAPONS LABORATORY, 1973);

4 – O volume II do ELECTROMAGNETIC PULSE/TRANSIENT THREAT TESTING OF PROTECTION DEVICES FOR AMATEUR/MILITARY AFFILIATE RADIO SYSTEM EQUIPMENT (BODSON, 1985);

5 – As técnicas e dispositivos de proteção de circuitos eletrônicos contra sobrevoltagens descritas em (STANDLER, 1989);

6 – O encaminhamento dado ao problema dos dois aterramentos da casamata e da plataforma de lançamento, que está descrito no sub-item “3.3.2 Case #2: The Grounds for Lightning Protection” e é mostrado na figura 3.31 abaixo (JOFFE e LOCK, 2010):

Figure 3.31. The solution Installation of transient voltage suppressors (TVSs) on all interface circuuits
Fonte: Figura 3.31 apresentada em (JOFFE e LOCK, 2010) com a solução para o problema da não equipotencialidade dos aterramentos da casamata e da plataforma de lançamento
e cuja solução é a instalação de Dispositivos de Proteção Contra Surtos (DPS) em todas as interfaces dos circuitos dos pares de fios torcidos da linha de fogo e

7 – A análise do Relatório da Investigação do Acidente (COMAER, 2004),

concluímos que:

– a linha de fogode solo do VLS-1 V03 apresentada nas figuras 79, 86 e 88 em (COMAER, 2004);

– os circuitos de segurança e atuação de bordo idênticos das figuras disponibilizadas pelo IAE para as teses de mestrado de: (CAMPELLO, 2004) figura 4, página 24;  (SPINA, 2009) figura 32, página 68 e (VISCONTI, 2007) figura 25, página 43, bem como

– o circuito de segurança e atuação de bordo apresentado na figura 12.4 em (PATEL, 2005) p. 325,

não possuem todos os dispositivos de proteção necessários para que o circuito de segurança e atuação de solo possa permitir um acionamento seguro dos quatro propulsores do primeiro estágio do VLS-1 V04.

De acordo com a figura 20.2 apresentada em (MANHA, 2009) e mostrada abaixo:

Figure 20.2 A safe and arm device.

Titulo da figura 20.2

Fonte: Figura 20.2 apresentada em (MANHA, 2009) p. 672.

os dispositivos e circuito básicos de segurança que faltam são:

“S&A Removable Barrier” ou Dispositivo Mecânico de Segurança (DMS), com o objetivo de criar uma barreira mecânica e impedir a propagação da detonação para o ignitor do propelente, prevenindo assim um acidente catastrófico em caso de iniciação por inadvertência ou intempestiva de um ou mais detonadores. Devem ser instalados entre os alojadores dos detonadores e os cabeçotes dos ignitores, em série com cada par de detonadores. Uma descrição deste dispositivo encontra-se em (NEYER e SUDICK, 1998);

dois resistores de 100 kΩ, responsáveis pela dissipação de eletricidade estática e atenuação das correntes geradas por indução eletromagnética na antena em “loop” dos fios do detonador, devendo cada um deles estar situado entre os fios dos detonadores e o aterramento da estrutura do Veículo, exceto para a figura 12.4 apresentada em (PATEL, 2005) p. 325 que já possui estes resistores instalados dentro da cavidade dos dois detonadores, o primário e o redundante;

um relé bi-estável S2, responsável pela mudança da condição de SEGURANÇA do circuito para a condição ARMADO dentro da cavidade de cada detonador e

um relé bi-estável S1, responsável pela conexão dos dois fios do circuito que ficariam flutuantes na condição de SEGURANÇA ao aterramento do Veículo e responsável também pelo isolamento elétrico entre a fonte de energia e os dois fios do detonador na condição de SEGURANÇA e conexão da fonte aos fios do detonador na condição ARMADO, sendo que este relé deverá ser o último a ser ligado.

Se S1 deverá ser o último a ser ligado, então S2 deverá ser ligado antes, desfazendo a proteção que os resistores de 100 kΩ davam aos detonadores.

Portanto, concluímos que o relé S1 também deve proporcionar a proteção dos resistores de 100 kΩ ao detonador antes de ser ligado.

Desta forma ficaríamos com o seguinte circuito:

Figura com adaptacao da figura 20.2 de (MANHA, 2009) conforme orientação do item 5.10.4 do MIL-HDBK-1512

O circuito da figura acima, adaptado da figura 20.2 de (MANHA, 2009) de acordo com a orientação existente no sub-item 5.10.4 do MIL-HDBK-1512, ainda necessita dos Dispositivos de Proteção contra Surtos elétricos nos dois fios das interfaces da linha de fogo, da aplicação do princípio da redundância e da análise do problema do aterramento da casamata ser ou não ser equipotencial com o aterramento do Veículo.

Portanto, a figura 88 com as modificações sugeridas por (MANHA, 2009) e o sub-item 5.10.4 do MIL-HDBK-1512, que foram os dois resistores de 100 kΩ na antena em loop formada pela ponte resistiva de 1 Ω e os fios do detonador, a retirada do curto-circuito entre os fios da linha de fogo” nas interfaces e a permanência dos resistores de 100 kΩ entre os fios da linha de fogo” e os aterramentos existentes nas interfaces resulta numa figura 88 mais segura evitando-se os efeitos perigosos gerados nos detonadores pela(s) a(s):

– acumulação de eletricidade estática nos fios da linha de fogo”;

– descargas eletrostáticas nos fios da linha de fogo” e

– indução de corrente nas antenas em loopformadas pelos fios da linha de fogo ligados aos detonadores.

Assim sendo, a figura 88 mais segura passa a ser a figura exibida abaixo:

Figura 88 Adaptada conforme Manha 2009 e Patel 2005 com barreiras eletricas e protecoes redundantes

Fonte: Figura 88 adaptada das figuras 88 de (COMAER, 2004) e 20.2 de (MANHA, 2009), seguindo a orientação existente no sub-item 5.10.4 do MIL-HDBK-1512 para manter os resistores de 100 kΩ que aterram os fios da linha de fogo” na condição de SEGURANÇA aterrando os fios da linha de fogo” na condição ARMADO.

Uma análise dos resistores fabricados para utilização em circuitos destinados à proteção contra descargas eletrostáticas está apresentada em (VISHAY, 2010).

Seguem abaixo dispositivos, técnicas e alternativas encontradas nas bibliografias pesquisadas para a proteção do circuito de segurança e atuação dos detonadores dos propulsores do primeiro estágio do VLS-1:

1 – Os pares de fios paralelos verticais e sem blindagem, instalados entre a Caixa de Relés e a Sala de Interface, deverão ser substituídos por fios torcidos e blindados. Quando formarem uma cablagem, esta também deverá possuir uma blindagem do conjunto de cabos agrupados na mesma. Em toda a extensão da linha de fogo deverão ser utilizados pares de fios torcidos e blindados. As extremidades das blindagens deverão ser aterradas no aterramento do Veículo.

A única exceção é a linha de fogo de 300 m que interliga a sala de interface à casamata, para a qual deverá ser utilizado o aterramento existente em cada extremidade se e somente se os dois aterramentos forem equipotenciais.

A obtenção da equipotencialidade entre dois aterramentos requer que o cabo utilizado para esta finalidade possua uma impedância baixíssima e seja instalado dentro de um conduíte metálico para não possuir contato com o solo.

Blindagens não aterradas nos conectores permanecerão abertas e flutuantes e não protegerão os fios existentes em seus interiores. As blindagens baseiam-se no princípio de funcionamento de uma Gaiola de Faraday para proteger os fios.

Quando não puderem ser utilizadas blindagens devido à inexistência de equipotencialidade entre os dois aterramentos, deverão ser instalados Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) nas duas extremidades em cada um dos fios torcidos, com os DPSs aterrados no aterramento de suas respectivas extremidades (JOFFE e LOCK, 2010).

2 – Segue abaixo a Figura 86, com a adição de um Conector Umbilical de 16 pinos exclusivo para os pares de fios dos detonadores AA, AB, BA, BB, CD, CC, DC e DD. O dispositivo de Segurança apresentado neste item é constituído de uma pequena caixa metálica com um conector de 16 pinos fixado na mesma, com a finalidade de curto-circuitar temporariamente os pares de fios torcidos e blindados dos detonadores dos propulsores do 1º estágio do VLS-1, bem como drenar a eletricidade estática por meio dos resistores de 10 a 100 kΩ para o aterramento do Veículo.

Portanto, pelo fato de seguir a orientação existente na norma MIL-STD-1576 que exige o curto-circuito dos fios dos detonadores aterrados por meio de um resistor de 10 a 100 kΩ, este circuito não possui os dois resistores de 100 kΩ que protegem a antena em loopformada pelo curto-circuito dos fios dos detonadores e a ponte resistiva, conforme orientação apresentada na figura 20.2 de (MANHA, 2009).

Este conector deverá permanecer acoplado ao conector do umbilical do veículo enquanto não estiverem concluídos os trabalhos de montagem do VLS-1 e o mesmo não estiver liberado para a conexão dos fios dos detonadores em questão à linha de fogo.

Figura 86 - Conector Umbilical de Segurança para curto-circuitar e drenar eletricidade estática dos pares de fios torcidos e blindados dos detonadores do 1º estágio.

 

Fonte: Figura adaptada da figura 86 de (COMAER, 2004) com o conceito utilizada pela norma MIL-STD-1576 que exige o curto-circuito dos fios dos detonadores

3 – A figura 86 acima ficaria da seguinte forma se fossem utilizados os dois resistores de 100 kΩ preconizados por (MANHA, 2009):

Figura 86 de acordo com MANHA 2009

Fonte: Figura adaptada da figura 86 de (COMAER, 2004) com a aplicação dos dois resistores de 100 kΩ utilizados na figura 20.2 apresentada em (MANHA, 2009) p. 672

4 – A figura 86 a seguir, acrescenta à figura 86 do item acima um dispositivo divisor de tensão, constituído por um relé bi-estável que na condição de Segurança mantém os fios de cada detonador curto-circuitados e aterrados na carcaça por meio de dois resistores de 0,2 kΩ. Os dois resistores de 20 kΩ complementam o divisor de tensão na proporção de 100:1.

Figura 86 - Posicionamento dos conectores dos detonadores do 1º estágio. (1)

 

Fonte: Figura adaptada da figura 86 de (COMAER, 2004) com a aplicação do circuito divisor de tensão na proporção de 100:1

Esta proporção pode ser dobrada, como mostrado no desenho esquemático do detonador apresentado abaixo, pelo fato da linha de fogo do detonador não encontrar-se curto-circuitada acima dos resistores de 20 kΩ. Aumentando-se o valor dos resistores Rs obteremos maiores proporções para o circuito divisor de tensão.

Os valores de atenuação apresentados abaixo foram calculados supondo-se que os relés sejam acondicionados apenas dentro do alojamento dos detonadores, sem a existência de relés na torre de umbilicais. Com a colocação de relés também na torre de umbilicais, a fim de curto-circuitar a outra extremidade dos resistores Rs, as atenuações caem pela metade dos valores aqui apresentados. São apresentadas várias alternativas para o circuito divisor de tensão e suas respectivas atenuações da voltagem de entrada.

Representacao esquematica do detonador com as protecoes para descargas eletrostaticas

A1C Neon lamp data sheet (SPC TECHNOLOGY, 2000).

Os circuitos RC paralelos R1C1, R0C0 e R2C2, representam circuitos equivalentes correspondentes às características elétricas intrínsecas do detonador.

5 – Uma solução para o problema da radiação eletromagnética originada pela emissão de Rádio Frequência, encontra-se ilustrada esquematicamente na figura 86 abaixo, com a colocação de dispositivos de proteção indutivos blindados passivos, adaptado de (COMAER, 2004) e (HOLINBECK, 1963).

DISPOSITIVO DE PROTEÇÃO INDUTIVO PARA RF

6 – Utilização dos conectores apresentados abaixo, que foram projetados e fabricados para proteger individualmente cada pino contra Transientes gerados por Pulsos Eletromagnéticos (EMP), Interferências Eletromagnéticas (EMI) e Descargas Eletrostáticas (ESD), podendo ser acoplados entre si formando um conjunto de proteção completo para minimizar a voltagem residual sobre os detonadores (AMPHENOL, 2013).

6.1 – Conectores com um Varistor em cada pino

Transient Protection with MOV - Metal Oxide Varistor Connectors

MOV Connectors Performance Characteristics

Typical MOV response

6.2 – Conectores com um Diodo em cada pino

Transient Protection Diode Connectors

Diode contact pulse test

Diode Connector Characteristics

6.3 – Conectores com um Centelhador em cada pino

Transient Protection ESA - Energy Shunting Assembly

ESA Performance Characteristics

6.4 – Conectores com gaiola de Faraday

(ESD) Protected Connectors

6.5 – No catálogo da Amphenol Aerospace, existem vários tipos de conectores e adaptadores que incorporam filtros e circuitos destinados a proteger os detonadores (AMPHENOL, 2013).

7 – São apresentados abaixo os filtros de EMI e conectores supressores de transientes de voltagem fabricados pela empresa Glenair (Glenair, 2008):

Glenair EMI Filter and Transient Voltage Suppression Connectors

8 – As tabelas abaixo apresentam os parâmetros de trabalho, nível de falha e desempenho de alguns itens utilizados como Dispositivos de Proteção de Surtos (DPS) em 1977.

8.1 – Níveis aproximados de falha

Approximate failure levels

Fonte: (DNA, 1977)

8.2 – Resultados dos testes de vários componentes

TEST RESULTS FOR MISCELLANEOUS COMPONENTS

Fonte: (DNA, 1977)

9 – A figura 12 e a tabela da figura 12 abaixo, apresentam a comparação de três Dispositivos de Proteção de Surtos (DPS) comumente utilizados em 1984.

A Figura 12 e a tabela de comparação para a figura 12.

Fonte: (WIK, 1984)

10 – “Since potential transient suppression devices such as spark gaps, diodes, varistors and neon lamps are not normally subjected to pulse tests representative of an EMP environment, extensive testing of these devices was necessary. Static and dynamic parameters germane to the selection of a suppression device for a given circuit hardening application were evaluated and presented in matrix form in Chapter 6”. (USAF WEAPONS LABORATORY, 1973)

11 – Utilizaremos a seguinte adaptação da figura 88, do Relatório da Investigação do Acidente, como ponto de partida para facilitar o entendimento das modificações sugeridas:

Figura 88 Original

12 – Adição de duas lâmpadas de Neon A1C, ligadas ao aterramento por meio de um resistor de 10 Ω, 1/4 watt, cujas especificações técnicas encontram-se na tabela abaixo da figura.

Figura 88 com lampada de Neon A1C

A1C Neon lamp data sheet (SPC TECHNOLOGY, 2000).

13 – Adição de um relé bi-estável e dois resistores de 10 a 100 kΩ na extremidade da linha de fogo da casamata:

Figura 88 com reles e os resistores de protecao da linha de fogo na casamata

14 – Adição de um resistor de 100 kΩ no curto-circuito dos fios do detonador, dentro da caixa de relés e o aterramento dos três resistores de 100 kΩ no aterramento do Veículo, para que a eletricidade estática possa dissipar para o aterramento e não se acumular no detonador e na linha de disparo (CAMPELLO, 2004) :

Figura 88 com os resistores de 100K dissipando eletricidade estatica para o aterramento do Veiculo

15 – Adição de um relé bi-estável o mais próximo possível do  detonador, e instalação de um circuito divisor de tensão na proporção de 100:1 (LEOPOLD, 1975) e (WILSON, 2002).

Figura 88 com circuito divisor de tensao

16 – Incremento da proteção do circuito divisor de tensão de 100:1, (LEOPOLD, 1975) e (WILSON, 2002), utilizando duas lâmpadas de Neon A1C (PIERSON, 1969), cujas especificações técnicas encontram-se na tabela abaixo da figura.

Figura 88 com divisor de tensão, lampadas de Neon A1C e fios torcidos e blindados

A1C Neon lamp data sheet (SPC TECHNOLOGY, 2000).

17 – Incremento da proteção do detonador do item 14 acima, com a instalação do Dispositivo de Proteção de Surto paralelo indireto escalonado, composto por centelhador, varistor e diodo Zener em avalanche (CAPELLI, 2010):

Figura 88 faltando DPS nas extremidades dos fios de 300m e com centelhador, VTR e TVS

18 – Proteção do detonador utilizando, DPS paralelo indireto escalonado (CAPELLI, 2010), divisor de tensão de 100:1 (LEOPOLD, 1975) e (WILSON, 2002) e duas lâmpadas de Neon A1C (PIERSON, 1969) ligadas ao aterramento por meio de um resistor de 10 Ω, 1/4 watt,  cujas especificações técnicas encontram-se na tabela abaixo da figura.

Figura 88 sem DPS nas extremidades dos fios da linha de fogo de 300m com proteção integral

A1C Neon lamp data sheet (SPC TECHNOLOGY, 2000).

19 – Segue abaixo a figura 88, na qual os fios dos detonadores estão protegidos por meio da utilização da lâmpada de Neon modelo 5AH (NE-83), pelo fato da mesma ter sido projetada para ser utilizada em circuitos de pulso e suportarem correntes maiores do que as outras lâmpadas de Neon suportam (STANDLER, 1989).

Figura 88 Original sem DPS nas extremidades da linha de fogo de 300m com os detonadores protegidos apenas por duas lampadas de Neon NE 83

“The neon lamps are considerably less expensive than spark gaps, a feature that merits considerable attention. Although neon lamps are generally inferior to spark gap for overvoltage protetion, the limited protection from neon lamp may be preferable to no protection in an application where a spark gap is too expensive.” (STANDLER, 1989)

If neon lamps are to be used as transient protection, the model 5AH, (formerly NE-83) appears to be desirable. It was designed for use in pulse circuits and with currents that are greater than those of other neon lamps.” (STANDLER, 1989)

Portanto, é preferível a proteção limitada de uma lâmpada de neon do que nenhuma proteção e a lâmpada de neon modelo 5AH (NE-83) é melhor que todas as outras lâmpadas de neon para proteção de transientes elétricos.

As características elétricas da lâmpada de Neon NE-83 encontram-se apresentados na tabela abaixo.

NE-83

Fonte: Página da Internet. Disponível em < URL: http://www.donsbulbs.com/cgi-bin/r/b.pl/neon%7Cwl%7Ct2%7C5ah-ne83~usa.html >.

20 – Segue abaixo a figura 88 com a proteção dos: resistores de 10 kΩ na extremidade da “linha de fogo” da casamata; resistores de 100 kΩ para a dissipação da eletricidade estática nos fios dos detonadores e das lâmpadas de Neon modelo 5AH (NE-83) contra descargas eletrostáticas (STANDLER, 1989) e (COMAER, 2004):

Figura 88 protegida por resistores de 10K na casamata, 100 K nos relés e lampadas de Neon NE 83 dentro do protetor de cablagem

21 – Segue abaixo a figura 88, na qual os fios dos detonadores estão protegidos por meio da utilização de velas de ignição (CAPELLI, 2011). Porém, as únicas medidas de proteção 100% garantidas e confiáveis para evitarmos a ocorrência de um acidente catastrófico são a instalação dos Dispositivos Mecânicos de Segurança e a evacuação dos trabalhadores da Torre Móvel de Integração e das áreas adjacentes à mesma antes de realizarmos a conexão dos fios dos detonadores à “linha de fogo”.

Figura 88 Protegida por velas de ignição e um aterramento intermediário de baixa impedância

Trata-se de uma medida emergencial a ser utilizada numa situação crítica, quando não existe nenhuma outra disponível e tem por objetivo não permitir que o sistema permaneça completamente desprotegido com relação às descargas eletrostáticas. Esta improvisação teria evitado a iniciação do VLS-1 V03 e contempla apenas a proteção dos detonadores dos propulsores A, B, C e D, para as seguintes hipóteses de acumulação de eletricidade estática, descarga eletrostática direta ou induzida nos fios dos mesmos:

1ª Hipótese – Eletricidade estática acumulada nos fios dos detonadores, gerada pelo Campo Elétrico Vertical existente no interior da Torre Móvel de Integração e aumentada pela fricção do vento e a poeira transportada pelo mesmo com as capas dos fios dos detonadores.

2ª Hipótese – Descarga eletrostática direta ou induzida nos fios dos pinos dos detonadores;

3ª Hipótese – Descarga eletrostática gerada pelo insuflamento de ar seco e frio na capa de plástico e incidente na coifa principal ou na carcaça do veículo e

4ª Hipótese – Indução de transiente elétrico na linha de fogo proveniente de descargas elétricas atmosféricas, excluídas as descargas diretamente incidentes no sistema de aterramento do Veículo. Como a magnitude dos gradientes de voltagem e transientes gerados por descargas atmosféricas são muito elevados, é proibido o manuseio e instalação de detonadores quando forem detectadas descargas atmosféricas se aproximando num raio de 50 km.

Sistemas de detecção de gradientes de voltagem devem acionar um alarme quando os valores se aproximarem dos limites considerados seguros e obtidos a partir de experimentos realizados no local de utilização dos detonadores (NORTH, 1969) p. 3-8.1 e 3-8.2:

The users of electroexplosive devices have been concerned about the effects of atmospheric potential gradient for many years, but the use of EED’s was limited, and most facilities had lightning protection on buildings for assembly and testing. As the use of EED’s has increased in numbers and applications, much of the assembly and testing is done in field locations where work is stopped when hazardous potential gradients exist. The approach of storms clouds with lightining is definitely a good time to shut down, but how about wind and dustgenerated potential gradientsMost of our work is in the deserts of New Mexico and Nevada, where it is very dry and a moderate wind can generate 5000 v/m; …

Sandia Laboratories, operated for the Atomic Energy Commission by Sandia Corporation, is envolved in extensive testing of both the conventional explosives and nuclear explosives. This requires installation and handling EED’s under field conditions where potential gradient is a major consideration.  We use groundings straps and antistatic clothing to minimize the hazards and we have continuous recording to warn of high potentialsThis equipment is set to sound an alarm when a preselect potential is reached. (NORTH, 1969) p. 3-8.1 e 3-8.2;

Observações:

– Os 16 resistores de 100 kΩ em paralelo, resultaram numa resistência equivalente de 6,25 kΩ entre os fios paralelos sem blindagem dos detonadores e o aterramento da “linha de fogo” na casamata. Este procedimento de aterramento dos resistores de 100 kΩ foi uma falha técnica, pois a função desses resistores era proteger os fios verticais da “linha de fogo” situados na Torre de umbilicais entre a Caixa de Relés e a Sala de Interface e, para cumprir esta função, deveriam ter sido aterrados no aterramento da estrutura do Veículo para proteger os fios por meio da dissipação de eletricidade estática e desvio de descargas eletrostáticas incidentes nos mesmos (COMAER, 2004), (WILSON, 2002) e (CAMPELLO, 2004):

Figura 79 do relatório de investigação

Fonte: (COMAER, 2004)

Figura 79 Adequada às normas AFSPC MANUAL 91-710 e MIL-STD-1576.

Fonte: Figura adaptada utilizando a figura 79 de (COMAER, 2004)

– A situação do VLS-1 V03 está sendo tratada aqui como emergencial e crítica, pelo fato de:

  • não terem sido instalados os Dispositivos Mecânicos de Segurança (DMS) entre os alojadores dos detonadores e os ignitores do propelente dos propulsores A, B, C e D;
  • os detonadores terem sido conectados à linha de fogo com a presença de muitos trabalhadores na torre móvel de integração, plataforma de lançamento e ao redor das mesmas;
  • os circuitos dos dispositivos eletro-pirotécnicos que iniciam o motor do foguete serem considerados circuitos críticos porque, se iniciados prematuramente ocorre uma falha catastrófica (SKINNER e WILSON, 1973). 

22 – Deverão ser verificados o estado e as condições de funcionamento dos Dispositivos de Proteção de Surtos dos quadros elétricos da subestação, dos prédios, da casamata, da plataforma de lançamento, da linha de fogo e dos detonadores (BIERBAUM, 2001) .

Bibliografia

1 – AMPHENOL Aerospace. EMI/EMP Filter Protection. Fonte: Página da Internet. Disponível em URL: < http://www.amphenol-aerospace.com/pdf/Filter_9.pdf > p. 326 a 331. Acessado em 2013.

2 – BIERBAUM, R. L. Lessons Learned from JTA Tester Safety. Sandia National Laboratories. 2001. Página da Internet. Disponível em < URL:  http://prod.sandia.gov/techlib/access-control.cgi/2001/018322.pdf > p. 9. Acessado em 2013.

3 – BODSON, D.; FRIZZELL, J.;  HIGDON T. e RABKE, W. Electromagnetic Pulse/Transient Threat Testing of Protection Devices for Amateur/Military Affiliate Radio System Equipement Vol. II. 1985. Página da Internet. Disponível em < URL: http://www.dtic.mil/dtic/tr/fulltext/u2/a164431.pdf >. Acessado em 2013.

4 – CAMPELLO, Alexandre S. Modelagem e análise comparativa da confiabilidade em sistemas de segurança e atuação com aplicação em foguetes. 2004. 108f. Tese de mestrado – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos. Página da Internet. Disponível em < URL: http://www.bd.bibl.ita.br/tesesdigitais/000531953.pdf > p. 24. Acessado em 2013.

5 – CAPELLI, A. Protetores de Surtos de Tensão (TVSS): Funcionamento dos principais tipos e aplicações. Mecatrônica Atual. Mecatrônica Atual. Figura 19. Ano:8; N° 46; Jul / Ago – 2010. p. 28-33. Página da Internet. Disponível em < URL: http://www.mecatronicaatual.com.br/files/file/MA46web.pdf >. Acessado em 2013.

6 – CAPELLI, A. Descargas Atmosféricas. Saiba como proteger seus equipamentos conhecendo melhor esse fenômeno. Mecatrônica Atual: Ano 10, nº 53, 2011. p.21. Página da Internet. Disponível em < URL: http://www.mecatronicaatual.com.br/files/file/MA53web.pdf >. Acessado em 2013.

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