19 – Acompanhamento da implantação das medidas de segurança para o lançamento seguro do VLS-1 V04 por meio da mídia escrita.

ESPECIAL – CLA 10 Anos da Tragédia
Coronel César Demétrio Santos, diretor do CLA
“O VLS Hoje é Outro Foguete”
Em entrevista exclusiva a O Estado, o diretor do CLA, coronel
César Demétrio Santos, fala da evolução do Veículo Lançador de
Satélites e anuncia o lançamento do VS-30, que fará o primeiro
voo, este ano, com combustível líquido produzido no Brasil
O Estado do Maranhão
22/08/2013
Foto/ Douglas Júnior

                       Coronel César Demétrio Santos

O diretor do Centro de Lançamento de Alcântara, coronel César Demétrio Santos, recebeu O Estado na tarde de terça-feira (20) para falar sobre as mudanças tecnológicas tanto da plataforma quanto do foguete Veículo Lançador de Satélites (VLS), que também teve os sistemas atualizados para as próximas operações de lançamentos. Otimista, ele anunciou o lançamento do Veículo Suborbital VS-30 ainda este ano, entre os meses de outubro e dezembro. O VS-30 fará o primeiro voo com combustível líquido desenvolvido no Brasil.
Além da tecnologia, o coronel prevê outras mudanças na área do CLA, como ampliar o atendimento no posto de saúde e também na Escola Caminho das Estrelas, que atende os filhos de funcionários do centro e crianças da comunidade de Alcântara. Antes de receber O Estado, César Demétrio participou de um almoço especial para celebrar os aniversariantes do mês do Centro de Lançamento de Alcântara. Essa é uma das ações da gestão para valorizar as equipes que trabalham no CLA.
 
O Estado- Como o senhor analisa o Programa Espacial 10 anos após o acidente?
 
César Demétrio – Uma das coisas que eu fico chateado é quando vejo repórter escrevendo que tem 10 anos do acidente e o Brasil não lançou nada. Isso não é verdade. A área espacial não é só o VLS. A gente tem vários veículos na área suborbital, o próprio VSB-30, que é o Veículo de Sondagem Brasileiro, já teve vários sucessos de lançamentos tanto no Brasil como no exterior. Hoje, o VBS-30 já conseguiu restituir 2,8 milhões de euros ao Brasil, valor que foi reinvestido na área espacial. São coisas que ninguém comenta e isso, às vezes, até entristece a gente. Para você chegar ao conhecimento de ciência e tecnologia, lógico que nós aprendemos muito, inclusive com o próprio acidente e com outros lançamentos. Até mesmo com os lançamentos do VLS que aconteceram antes de 2003 nós tivemos sucessos parciais. Nessas operações, em 1997 e 1999, muitos sistemas foram qualificados, tanto a parte do propelente sólido, sistemas de controle de altitude. Esses sistemas que foram qualificados, muita coisa a gente aplicou nos
foguetes de sondagem e suborbitais e hoje nós estamos fazendo o caminho inverso. Existem coisas que desenvolvemos para os foguetes suborbitais, como os dispositivos mecânicos de segurança e interface pirotécnica, que foram testados nesses foguetes e estamos migrando esses dispositivos para a parte do Veículo Lançador de Satélites. De modo que você consegue fazer um veículo com muito mais segurança do que a gente tinha na época.
 
O Estado- O senhor foi gerente do projeto da Torre Móvel e do VLS. Quanto tempo demorou o processo para a construção da nova torre?
 
César Demétrio – Quatro anos. Tivemos algumas dificuldades, esbarramos em algumas burocracias. Iniciamos com um problema ligado à licitação, empresas que perderam e entraram com recursos. Alguns recursos demoraram um ano e precisamos de alguns aditivos no orçamento inicial da torre. Esses aditivos tem um limite e nós fomos até esse limite. Na torre, foram investidos em torno de R$ 48 milhões.
 
O Estado- O modelo do VLS também mudou o projeto original?
 
César Demétrio- O VLS hoje é outro foguete. Ele continua o mesmo, mas só por fora. A única coisa que a gente utiliza ainda daquela tecnologia que foi desenvolvida é o propelente, que teve êxito nas missões. Mas hoje mudamos a geometria até para ter a propulsão maior. As quatro redes elétricas do veículo são desenvolvidas com equipamentos novos. Na parte de redes pirotécnicas, elas foram todas reprojetadas e hoje esse sistema é até fabricado por uma empresa francesa que faz a rede elétrica do Ariane-5, o foguete francês que é lançado na Base de Kourou, na Guiana Francesa.
Ano que vem, nós iremos fazer a simulação com um veículo inerte, sem combustível, mas com todas as redes elétricas do veículo, e vamos fazer todos os ensaios e simulações possíveis sem a ignição, para que a gente possa rever esses sistemas todos. Vai ter também uma simulação de acidentes para testar os sistemas de fuga e evasão. Também ano que vem a gente lança o foguete, que terá os dois primeiros estágios ativos, e servirá para testar exatamente os estágios que deram problema nos dois primeiros lançamentos antes de 2003.
 
O Estado- Além do VLS, o CLA tem previsão de lançamento de outro foguete para este ano?
 
César Demétrio –Temos a previsão de lançar o VS-40 no Centro de Lançamento de Barreira do Inferno (CLBI), levando um satélite de reentrada atmosférica que foi construído para entrar numa condição de microgravidade e depois vamos forçar a reentrada dele na atmosfera para saber qual o rendimento.
“Uma das coisas que eu
fico chateado é quando vejo
repórter escrevendo que tem 10
anos do acidente e o Brasil não
lançou nada. Isso não é verdade”
 
Coronel César Demétrio Santos, diretor do CLA
 
O Estado- Para o CLA, o que está previsto para acontecer ainda este ano?
 
César Demétrio- Nós estamos com a previsão, entre os meses de outubro e novembro, de lançar um VS-30, que será mais uma operação de testes, pois elevai levando um motor com propelente líquido totalmente nacional. A missão se chamará Operação Raposa.
 
O Estado- Além da torre de escape, quais os itens de segurança que a nova plataforma tem hoje e que não tinha no passado?
 
César Demétrio-Temos dispositivos na nova Torre Móvel de Integração que são de controle e de combate a incêndio. Eles conseguem supervisionar, detectar se você tem algum problema, como de um início repentino de situação de incêndio, e combatêlo. Temos também o sistema de Dispositivos Supervisores de Isolamento, que são dispositivos nas quatro redes elétricas que tem no VLS e que têm uma interface com a plataforma de lançamento. Com esses dispositivos,nós conseguimos identificar, por exemplo, uma fuga de corrente ou um curto circuito. Esse sistema detecta e avisa o controlador na Sala de Apoio para que ele tome as medidas necessárias para a correção. Temos o sistema de alarme visual e sonoro que avisa qualquer alteração, além dos dispositivos mecânicos de segurança que não permitem uma ignição intempestiva do veículo na torre.
Outro item é o sistema de controle de tomadas elétricas, que na torre anterior não tinha. As tomadas só são energizadas dentro de um controle, ou seja, tem toda uma programação de atividades previstas e em qual nível da torre vai ser feita cada atividade e por quem vai ser feita. Então, você energiza em níveisadequados cada tomada para o procedimento. Qualquer coisa que fuja daquela cronologia inicial a pessoa tem que pedir autorização, que é analisada. Seproceder e não for colocar em risco a cronologia que está sendo realizada, ela vai ser autorizada. Na torre, tem ainda um dispositivo visual, que é sofisticado.Por exemplo: eu congelo a imagem e digo que o lançamento só é possível se estiver nessa posição. Se entrar um passarinho, ele vai parar o sistema.
 
O Estado- E em relação a outros itens, não só os de segurança, como os tecnológicos que não havia na antiga torre e existem agora?
 
César Demétrio-Quando foi feito o relatório de acidentes, os técnicos russos desenvolveram um relatório de recomendações. Na época, foram levantadas possíveis causas do acidente e o relatório foi inconclusivo. Não se conseguiu chegar, por exemplo, à causa real da ignição. Não se pode afirmar que foi uma descarga elétrica, uma onda eletromagnética emitida por um navio ou um operador que energizou demais uma tomada. Para acionar um motor, tem que seruma descarga muito alta. O pessoal foi fazendo pesquisas e no relatório eles recomendaram algumas atividades que deveriam ser realizadas, desde procedimentos, construções de prédios, sistemas para que possamos combater esses prováveis riscos. Dentro dessas recomendações, a gente começou a elaborar o projeto. Nós temos, por exemplo, o sistema de proteção de descargas atmosféricas, que existia na época do acidente, mas colocamos agora na metodologia da área da física, conhecida como Gaiola de Faraday [experimentopara demonstrar que uma superfície condutora eletrizada possui campo elétrico nulo em seu interior, dado que as cargas se distribuem de forma homogênea na parte mais externa da superfície condutora]. Trata-se de um sistema que não deixa qualquer descarga elétrica afetar o veículo. Nós adquirimos ainda um sistema capaz de identificar ondas eletromagnéticas para fazer um levantamento do espectro eletromagnético e se for identificado uma onda diferente do previsto é possível parar a cronologia. Fora isso, todo o controle do Centro de Lançamento de Alcântara passou dos sistemas analógicos para os digitais. De 2008 para cá, foram investidos mais de R$110 milhões nessas mudanças. Nós já tivemos visitas até da embaixada americana, de ucranianos e de alemães e várias pessoas comentam que hoje nós temos um equipamento de ponta que não deixa a desejar a nenhum país.
 
O Estado- Além das construções tecnológicas, quais são as outras áreas do CLA que estão  recebendo investimentos?
 
César Demétrio- Nós estamos construindo uma escola. A nossa em 2011 ficou em nono lugar no Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (IDEB) no Maranhão, e nosso intuito é criar uma escola de referência. Para o meu efetivo trabalhar bem, ele precisa estar se sentindo bem e não só ele, a família dele. Se a família dele não tiver com saúde vai interferir no desempenho dele aqui dentro. São coisas que a gente tem que pensar o tempo todo, além da área espacial. Estamos reformando o posto médico também, mas, voltando à escola, hoje nós temos 102 alunos, sendo 42 filhos de funcionários e o restante de pessoas da comunidade. Meu objetivo é atender mais com a construção da escola e queremos ter até uns 250 alunos de fora na nossa Escola Caminho das Estrelas.
Fonte: Página da Internet. Disponível em < URL: http://imirante.globo.com/noticias/2013/08/22/o-vls-hoje-e-outro-foguete.shtml >. Acessado em 2013.
22/08/2013 06h00 – Atualizado em 26/08/2013 15h48

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Tragédia em Alcântara faz dez anos e Brasil ainda sonha em lançar foguete

Fonte: Página da Internet. Disponível em < URL: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/08/tragedia-em-alcantara-faz-dez-anos-e-brasil-ainda-sonha-em-lancar-foguete.html >. Acessado em 2013.

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About Dallapiazza

Este trabalho de pesquisa é destinado à Força Aérea Brasileira. Tem como objetivo principal orientar os atuais e futuros engenheiros, que trabalham ou pretendem trabalhar nestas atividades de lançamento de foguetes de sondagem ou veículos lançadores de satélites, sobre o projeto correto do circuito de segurança e atuação de solo, os riscos existentes e as medidas preventivas que devem ser adotadas na proteção do mesmo, a fim de torná-lo seguro e fornecer subsídios para o lançamento seguro do VLS-1 V04, bem como ser fonte de material didático sobre este assunto. É também uma homenagem ao meu tio, Brig Eng Roberto Della Piazza (1938-2013), T72 do ITA e Ex-Diretor da Diretoria de Material da Aeronáutica, cujo sobrenome correto do pai e do avô é Dallapiazza.
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